sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Eu.[10]

Como é bom ter de volta aquele ódio acumulado, que as vezes parecia sair pressionado pelas pontas dos dedos em forma de dor. Aquele que eu sentia no início de minha adolescência. O sangue circulava mais rápido, os batimentos aceleravam a temperatura se elevava. Sentia minha cabeça esquentar como o fogo e o que eu precisava era de um motivo pra cometer uma desgraça qualquer assim como as que são anunciada nos jornais diariamente.

Foi o que senti quando me disseram que um amigo meu sofreu um acidente de moto que posteriormente o levou a morte. Foi arremessado após uma colisão traseira em sua moto por um carro no qual o condutor estava embriagado.


O que andei observando é que não sei lidar com esse tipo de situação da mesma forma que a maioria. Quando contei o ocorrido pra algumas pessoas, a reação delas foi a mesma e seguida de uma afirmação: Para de brincar com essas coisas!
Parei pra pensar, e percebi que o que fez aquelas pessoas reagirem da mesma forma foi o modo como dava a noticia, não parecia nem um pouco comovido.

No enterro não mudou muita coisa, as vezes tentava disfarçar, buscar algum sentimento dentro de mim, ou mudar o semblante, más era algo difícil pra mim, assim como dar palavras de consolo, já tenho que estar com elas planejadas na cabeça para falar na hora, porque no momento não sai nada. Apenas fico calado e com a mesma cara de sempre. Detesto explicitar a vida dos outros nessas situações, o que mais vi foi fotos do falecido no orkut e comunidades com o nome do tal. No meu modo de pensar, a morte é o fim, se acabou, acabou! Não há porque fazer reverências a um cadáver, as pessoas fazem coisas como se o falecido iria ver aquilo tudo e achar muito bonito. Besteira! O que vale a pena para mim são o atos realizados por ele...

Havia algo nele que eu sempre admirava: A sua auto confiança, aquilo lhe fazia forte. Ele tinha esse diferencial, nunca desacreditava de si mesmo. Ele gostava muito de mim, a ponto de me considerar irmão e seus pais me chamar de filho. Tudo começou com um interesse meu sobre sua irmã, más com a convivência as coisas mudaram um pouco e agora... A "pseudo família" se desintegrou...

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